Inimigo silencioso: Como o orgulho nos engana.

Sumário

Por um coração humilde diante de Deus.

“Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte.” 1 Pe 5:6

Você já parou para pensar que o maior perigo espiritual talvez não esteja lá fora, nas tentações óbvias, nos escândalos ou nas heresias, mas dentro de nós mesmos, disfarçado de virtude? Estamos falando do orgulho. Não o orgulho barulhento e arrogante, mas aquele que se veste de piedade, conhecimento, serviço ou até de zelo pela verdade. É o inimigo silencioso que, sem percebermos, nos afasta da graça e nos isola uns dos outros.

Ao longo da história da igreja, grandes homens e mulheres de Deus concordaram: o orgulho é o pecado central, a raiz de todos os outros. Mas a boa notícia é que, onde o orgulho entra, a graça de Cristo pode curar. Vamos caminhar juntos por essa reflexão?

1. O orgulho espiritual: quando a religião nos cega

Muitas vezes, o orgulho mais perigoso é o que se esconde atrás da oração, do jejum ou da leitura bíblica. Lembra-se da parábola de Jesus sobre o fariseu e o publicano? O fariseu não mentia, roubava ou adulterava, mas seu coração estava cheio de si mesmo: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens…” (Lucas 18:11). O renomado escritor, teólogo e professor britânico C. S. Lewis observou com sabedoria: “Se você acha que não é orgulhoso, é provável que seja muito orgulhoso.”

O orgulho espiritual nos faz comparar, julgar, sentir superioridade. Mas a verdadeira espiritualidade nasce na pobreza de espírito (Mateus 5:3), no reconhecimento de que, sem Cristo, nada podemos fazer (João 15:5). Portanto, na próxima vez que você for orar, pergunte-se: “Estou buscando a Deus… ou buscando me ver como alguém espiritual?”

2. O orgulho intelectual: quando o conhecimento nos afasta do amor

É possível saber muito da Bíblia, e ainda assim, amar pouco. O apóstolo Paulo nos alerta: “O conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica” (1 Coríntios 8:1). O orgulho intelectual transforma a teologia em arma, não em serviço. Faz do estudo bíblico uma torre de marfim, de onde olhamos os outros com desdém. John Piper resume bem: “O orgulho é a paixão de ser glorificado em vez de glorificar a Deus.”

Mas Jesus não veio para os “doutores da lei”, mas para os sedentos de justiça, estes sabem que precisam aprender, não apenas ensinar. Entender isto nos traz um desafio: Use o conhecimento adquirido para abraçar, não para excluir. A verdade sem amor não é verdadeira.

3. O orgulho no serviço: quando servimos para ser vistos

Até no ato mais nobre — servir — o orgulho pode se infiltrar. Quantas vezes fazemos “a obra do Senhor” esperando reconhecimento, agradecimento ou até uma posição de destaque? Jesus, porém, disse: “Quem quiser ser o maior entre vós, seja vosso servo” (Marcos 10:43). Tim Keller, pastor, teólogo e apologista cristão americano escreveu: “O orgulho faz com que usemos as pessoas para elevar a nós mesmos. O amor verdadeiro se abaixa para servir.”

O serviço cristão autêntico é invisível, como o fermento na massa (Mateus 13:33). Ele não busca aplausos, mas a alegria de ver o Reino crescer, mesmo que ninguém saiba que fomos nós. O pastor Josué Gonçalves, terapeuta familiar, afirma: “O orgulho pode nos afastar dos outros, mas a humildade nos aproxima de Deus e nos torna mais abertos ao amor”. Dessa forma, na próxima vez que for servir, faça-o em segredo. Deixe que só Deus veja o que faz e Ele mesmo recompense.

4. A cura: a humildade que vem da cruz

“O orgulho não combina com a cruz”, afirma também o pastor Josué Gonçalves. A boa notícia é que Deus não nos abandona ao orgulho. Ele resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tiago 4:6). E onde encontramos essa humildade? Na cruz de Cristo. Ali, com os olhos da fé, vemos o Filho de Deus, que sendo igual a Deus, não considerou isso algo a ser explorado, mas se esvaziou, tornou-se servo e morreu por nós (Filipenses 2:6–8).  

Não há orgulho que resista diante desse amor. A. W. Tozer disse: “O orgulho é a mãe de todos os males e a raiz de todas as misérias humanas.” Mas a cruz é a cura de todas as raízes podres. O que nos resta, então? Olhe para a cruz hoje. Não para se condenar, mas para se libertar. Em Cristo, você é amado não pelo que faz, mas pelo que Ele fez por você.

Conclusão: Um caminho de graça, não de esforço

Não se trata de “tentar ser mais humilde”. A humildade não é uma meta moral, mas um fruto da graça. Ela nasce quando paramos de olhar para nós mesmos, para nossas falhas ou nossos sucessos e fixamos os olhos em Jesus (Hebreus 12:2). Thomas à Kempis, no clássico Imitação de Cristo, escreveu: “Quanto mais te elevares, mais profundamente cairás.” Mas também: “Quem se humilha profundamente diante de Deus não se deixa levar pelo desejo de ser exaltado.” 

Que possamos, como igreja, ser um lugar onde ninguém precisa impressionar, porque todos já foram aceitos pela graça. Onde o fraco é acolhido, o forte se abaixa, e Cristo é tudo em todos.

Venha como você é. Mas não fique como está.  

Deixe que a graça de Cristo cure seu coração e o torne humilde, livre e cheio de amor.

Pare um pouco, e pense: “Qual área da minha vida está mais vulnerável ao orgulho? Como posso cultivar a humildade nos próximos dias?” Assim, permita que o Espírito Santo molde seus pensamentos, sua vida, seu caráter à semelhança de Cristo Jesus.

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