A Plenitude da Divindade e a Unigênitura
O Verbo Que Se Fez Carne: O Centro Inegociável da Fé
No coração da fé cristã está a pessoa e a obra de Jesus Cristo. A Bíblia O apresenta não apenas como um profeta, mestre ou mártir, mas como o próprio Deus manifestado na carne. O terceiro ponto da nossa Declaração de Fé é categórico: Cremos na divindade de nosso Senhor Jesus Cristo.
Negar a divindade plena de Jesus é negar a eficácia da salvação. Se Ele fosse menos que Deus, Seu sacrifício seria finito e insuficiente para redimir a humanidade de seus pecados.
1. Verdadeiro Deus: Plenitude e Identidade com o Pai
Jesus não tinha qualidades divinas; Ele era Deus. O apóstolo João começa seu evangelho afirmando: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1).
- Igualdade com o Pai: Jesus mesmo declarou: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). O termo “um” (hen em grego) refere-se à unidade de essência e natureza, confirmando a doutrina da Trindade.
- Atributos Divinos: Ele demonstrou atributos exclusivos de Deus, como a Onisciência (saber o que estava no coração dos homens), a Onipresença (prometendo estar onde dois ou três estivessem reunidos), e a Onipotência (manifestada em milagres sobre a natureza, a doença e a morte).
2. O Filho Unigênito: Uma Relação Única e Eterna
Jesus é o Filho unigênito de Deus. O termo grego monogenes (unigênito) significa “único da Sua espécie” ou “o único gerado”. Isso não implica que Ele teve um começo, mas que Sua filiação é única e eterna, diferente da nossa, que somos filhos de Deus por adoção (João 1:12).
Como afirma Isaías 9:6, Ele é chamado de “Deus Forte” e “Pai da Eternidade”. Antes da Sua encarnação, o Filho de Deus já era coeterno com o Pai. A encarnação foi o momento em que Ele, mantendo Sua natureza divina, assumiu a natureza humana.
Verdadeiro Homem e a União Hipostática
3. Feito Carne: O Milagre da Encarnação
A Declaração de Fé enfatiza a humanidade de Jesus: “feito carne, gerado do Espírito Santo e nascido da virgem Maria”. A encarnação foi o ato divino pelo qual o Filho eterno assumiu a natureza humana (João 1:14).
- Nascimento Virginal: A profecia de Isaías 7:14 (“Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel”) se cumpriu em Maria. O nascimento virginal é crucial, pois garantiu que Jesus fosse concebido sem a mancha do pecado original, pois Seu Pai era o Espírito Santo, e não um homem.
4. A União Hipostática: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem
A doutrina cristológica fundamental é a União Hipostática. Ela afirma que Jesus é, ao mesmo tempo e em uma única Pessoa, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Essas duas naturezas (divina e humana) estão unidas inseparavelmente, sem confusão ou mudança.
- Jesus como Homem: Ele sentia fome (Mateus 4:2), sede (João 19:28), cansaço (João 4:6) e chorava (João 11:35). Ele cresceu em sabedoria e estatura (Lucas 2:52). Ele era perfeitamente humano, exceto pelo pecado.
- O Perigo das Heresias: Esta doutrina refuta heresias antigas como o Docetismo (que negava Sua humanidade, dizendo que Ele apenas parecia homem) e o Arianismo (que negava Sua divindade, dizendo que Ele era a primeira e mais perfeita criação de Deus).
A humanidade de Jesus era essencial para o nosso resgate. Ele precisava ser homem para poder representar a humanidade e morrer em nosso lugar.
O Propósito da Dupla Natureza e a Prova de Sua Divindade
5. A Prova da Ressurreição: A Confirmação Final
O ápice e a prova irrefutável da divindade de Jesus é a Ressurreição. O apóstolo Paulo afirma que Jesus foi “declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos” (Romanos 1:4).
Nenhum homem jamais se levantou por seu próprio poder. A ressurreição não foi um evento sobrenatural apenas; foi o atestado de Deus, o Pai, de que Jesus era quem dizia ser, e que Seu sacrifício foi aceito. A ressurreição garante a Sua divindade e o Seu senhorio.
6. A Necessidade da Dupla Natureza para a Salvação
A salvação só é possível porque Jesus possuía a dupla natureza:
- Para Ser o Salvador Perfeito: Ele precisava ser Deus (infinito, santo, eterno) para que Seu sacrifício tivesse valor suficiente para cobrir os pecados de todos os homens em todos os tempos.
- Para Ser o Sacrifício Legal: Ele precisava ser Homem (representante da raça humana) para morrer em nosso lugar, satisfazendo a justiça divina que exigia a morte pelo pecado (Hebreus 2:17).
- Para Ser o Mediador: Ele é o único mediador entre Deus e os homens, pois é o único que pertence a ambos os mundos (1 Timóteo 2:5).
Conclusão: A Rocha Inabalável da Nossa Esperança
A fé em Jesus Cristo como Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem é a rocha inabalável da nossa esperança. Ele é Emanuel, o “Deus Conosco”. Sua divindade garante o poder da Sua salvação, e a Sua humanidade garante que Ele Se compadece das nossas fraquezas.
Cremos na plenitude de Sua Pessoa, pois disso depende a nossa redenção. Aquele que está à direita do Pai hoje é o mesmo que caminhou nas ruas da Galileia. Sua obra é completa, Seu poder é infinito e Seu amor é eterno.


