O Centro da História: A Cruz Como Ponto de Viragem
A história humana e a história da salvação giram em torno de um único evento: a Expiação de Jesus Cristo na cruz. O quarto ponto da nossa Declaração de Fé é o mais carregado de graça, pois trata do ato pelo qual Deus resolveu o problema do pecado humano.
A Expiação é o meio pelo qual Deus restaurou o relacionamento rompido com a humanidade, cobrindo, limpando e cancelando a dívida do pecado. O termo (atonement em inglês, que significa “at-one-ment”, estar em um só com Deus) implica reconciliação.
1. Expiação: Ato da Soberania Divina
A Expiação não foi uma ideia de última hora, mas o plano eterno de Deus. A Bíblia afirma que Jesus é o “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8).
- Plano Eterno: Foi Deus quem proveu o sacrifício. O plano da redenção foi iniciado pelo Pai, executado pelo Filho e aplicado pelo Espírito Santo (Economia Trinitária).
- Base da Justiça: Deus, em Sua perfeição, não podia simplesmente ignorar o pecado. A Sua Justiça exigia pagamento pelo pecado (Romanos 6:23). O Seu Amor proveu o Substituto para pagar essa dívida. A cruz é o único lugar onde a justiça e o amor de Deus Se encontraram perfeitamente.
2. O Sacrifício do Substituto: Carregando a Nossa Maldição
A profecia de Isaías 53.4-5 é a descrição mais vívida da Expiação: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores… Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”
- Substituição Penal: Jesus Se colocou em nosso lugar. Ele tomou sobre Si o castigo penal que era devido a nós. Essa é a essência da Expiação. O Justo (Jesus) morreu pelo injusto (nós), para nos levar a Deus (1 Pedro 3:18).
- O Peso do Pecado: Na cruz, Jesus não apenas sentiu a dor física; Ele sofreu a separação do Pai (Gólgota), o que era a essência da maldição. Ele Se tornou pecado por nós (2 Coríntios 5:21).
A Exclusividade do Caminho e a Remissão Total
3. Caminho Exclusivo: Não Há Outra Rota Para a Vida Eterna
O cerne da Expiação é que ela tornou Jesus o único caminho para a salvação e a vida eterna. Como Ele mesmo declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).
- A Exclusividade Salva: A crença na Expiação de Cristo é a trincheira contra o sincretismo e o relativismo moderno. Não há méritos humanos, boas obras ou outros líderes religiosos que possam nos ligar novamente a Deus.
- A Autoridade Final: O apóstolo Pedro reforça isso, afirmando que “não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12). A salvação é cristocêntrica e exclusiva.
4. O Perdão Garantido: Justificação e Propiciação
A Expiação de Cristo alcançou dois resultados vitais para o crente:
- Justificação (Rm 3.24): Somos “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”. Justificar significa “declarar justo”. Deus nos perdoa e nos declara justos, removendo o nosso status de culpados.
- Propiciação (Rm 3.25): Jesus foi a oferta que satisfaz a ira de Deus contra o pecado. Ele “propiciou” ou aplacou a justa indignação divina. O resultado é a Paz com Deus (Romanos 5:1).
O perdão dos pecados não é dado por Deus com ressalvas; ele é total. O nosso passado é cancelado e não mais lembrado.
A Cura Integral e a Vida Eterna como Fruto
5. A Expiação Integral: Cura Física e Espiritual
O texto de 1 Pedro 2:24 conecta a Expiação à cura: “pelos seus ferimentos fostes sarados” (referenciando Isaías 53:5). A Expiação é integral; ela abrange o homem inteiro: espírito, alma e corpo.
- Cura Espiritual (Salvação): É o aspecto principal e eterno da Expiação. Fomos sarados do pecado.
- Cura Física (Milagre): É o aspecto temporal. O poder de cura de Jesus, manifestado em Seu ministério, foi comprado na cruz. Ele levou nossas dores e enfermidades. Por isso, cremos na cura divina para o corpo, pois ela é um direito estabelecido pela Expiação, a ser manifestado pela fé e pela soberania divina.
6. A Vida Eterna: O Fruto da Obra Consumada
O propósito final da Expiação não é apenas perdoar, mas restaurar o que foi perdido no Éden: a Vida Eterna.
A vida eterna é o relacionamento restaurado com Deus (João 17:3). Ela é garantida pela Expiação e é um presente de Deus que começa no momento em que cremos. Não é algo que se conquista após a morte; ela é o resultado da redenção que alcançamos em Cristo.
Conclusão: Resgatados para a Glória
A Expiação de Jesus Cristo na cruz é a verdade mais gloriosa do Evangelho. Por meio Dela, a Dívida foi paga, a Justiça foi satisfeita, o Pecado foi removido, e a Vida Eterna foi conquistada para todos os que creem.
Que a nossa fé não se firme em filosofias ou méritos, mas no poder absoluto do Sangue de Jesus, que nos resgatou para Deus e nos garantiu a glória. Ele é o Resgatador, e Sua obra é completa.


