Introdução
Ao longo desta série de estudos sobre nossa declaração de fé, tenho compartilhado com vocês os fundamentos daquilo que cremos e professamos como igreja pentecostal. Hoje, chegamos a um tema de profunda relevância para todo cristão: o mundo vindouro. Este não é um assunto periférico ou opcional em nossa teologia, mas sim uma verdade central que molda nossa compreensão sobre o propósito eterno de Deus e nossa esperança como servos do Senhor.
Quando falamos do mundo vindouro, estamos tratando de eventos futuros que a Bíblia Sagrada descreve com clareza: a existência de destinos distintos para salvos e condenados, o juízo final conhecido como grande trono branco, e a culminação gloriosa da história com o novo céu, a nova terra e a nova Jerusalém. Estas não são especulações humanas, mas revelações divinas que nos foram confiadas através das Escrituras Sagradas.
Contexto Bíblico e Profético
A revelação sobre o mundo vindouro não começou com o apóstolo João no livro de Apocalipse. Ao longo de toda a história bíblica, Deus tem demonstrado Sua capacidade única de revelar eventos futuros aos Seus servos. Consideremos o exemplo do profeta Isaías, que escreveu sobre o nascimento do Messias há mais de sete séculos antes que este evento se cumprisse. Em Isaías 9:6, ele proclama: “Porque um menino nos nasceu, e um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome será maravilhoso conselheiro, Deus forte, pai da eternidade, príncipe da paz.”
O que impressiona nesta profecia é que Isaías utiliza verbos no passado para descrever algo que só aconteceria centenas de anos depois. Isto demonstra que nosso Deus transcende o tempo. Ele não está limitado pela cronologia humana, mas é capaz de revelar o futuro como se já tivesse acontecido. Esta mesma capacidade divina permitiu que João visse e registrasse os eventos apocalípticos que ainda estão por vir.
João repetidamente declara: “Eu vi”. Ele não estava especulando ou imaginando, mas testemunhando aquilo que lhe foi mostrado pelo próprio Deus. Em Apocalipse 21:1-2, ele escreve: “E vi um novo céu e uma nova terra, porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, preparada como uma esposa adornada para o seu marido.”
A Sucessão dos Eventos Escatológicos
Para compreendermos adequadamente o mundo vindouro, precisamos entender a sequência dos eventos que nos conduzirão até lá. O relógio escatológico de Deus voltará a marcar a partir do arrebatamento da igreja, evento que inaugurará uma série de acontecimentos proféticos.
O Arrebatamento e Seus Desdobramentos
O arrebatamento da igreja marcará o início de um período crucial na história da redenção. Enquanto os salvos em Cristo forem arrebatados para encontrar o Senhor nos ares, conforme Paulo ensina em 1 Tessalonicenses 4, eventos simultâneos ocorrerão em duas esferas distintas.
No céu, acontecerá o tribunal de Cristo, que é essencialmente um tribunal de recompensas, não de condenação. Ali, os salvos receberão galardões por suas obras realizadas em nome do Senhor. Também ocorrerá a grande ceia celebrada pelo próprio Cristo. Enquanto isso, na terra, desenrolar-se-á a grande tribulação, um período de sete anos dividido em duas metades de três anos e meio cada, culminando com a batalha do Armagedom.
O Reino Milenial
Após a segunda vinda visível de Cristo, será estabelecido o reino milenial – mil anos de governo teocrático direto de Jesus sobre todas as nações da terra. Este será um período extraordinário onde Cristo demonstrará ao mundo como era o plano original de Deus para a humanidade. Será um governo político e econômico perfeito, onde a justiça prevalecerá sem corrupção, sem pobreza, sem miséria.
Durante este milênio, Satanás permanecerá amarrado, incapaz de influenciar a humanidade. A fertilidade será abundante, não haverá doenças como conhecemos, e a prosperidade será universal. Jesus será, literalmente, o líder político número um do mundo, e nós, a igreja arrebatada, reinaremos com Ele nesta gloriosa cidade de onde Ele governará.
A Última Rebelião e o Juízo Final
Ao término dos mil anos, Satanás será solto por um breve período. Surpreendentemente, mesmo após experimentarem um governo perfeito sob Cristo, muitos se deixarão enganar novamente pelo adversário. Ele convencerá governantes a se insurgirem contra Israel e o governo de Cristo. Esta última rebelião será rapidamente suprimida, marcando o fechamento definitivo da história humana como a conhecemos e inaugurando o juízo final.
As Duas Ressurreições
É fundamental compreendermos que a Bíblia ensina sobre duas ressurreições distintas, que não ocorrem simultaneamente. A primeira é a ressurreição dos justos, que acontecerá no arrebatamento da igreja. Paulo explica claramente este evento em 1 Tessalonicenses 4: quando o alarido ressoar, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, e então nós, os que estivermos vivos, seremos transformados e arrebatados juntamente com eles para encontrar o Senhor nos ares.
A segunda ressurreição é a dos injustos, que ocorrerá apenas no final do reino milenial, imediatamente antes do juízo final. Estes ressuscitarão não para a vida eterna, mas para enfrentarem o julgamento no grande trono branco. Este julgamento será justo, mas sem absolvição – todos os que ressuscitarem nesta segunda ressurreição serão condenados, pois morreram sem Cristo.
Quem Será Excluído do Juízo Final
É importante destacarmos que nem todos os seres humanos passarão pelo juízo final. Os crentes da era da igreja – isto é, todos nós que aceitamos a Cristo neste tempo da graça – já teremos sido arrebatados e transformados. Não compareceremos diante do grande trono branco, pois já estaremos com Cristo, revestidos de corpos glorificados.
Além dos crentes da era da igreja, também estarão excluídos do juízo final os mártires da grande tribulação. Estes são aqueles que, embora não tenham subido no arrebatamento, recusaram-se a aceitar a marca da besta durante a tribulação e foram mortos por sua fé. Apocalipse 20:4 declara: “E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, que não adoraram a besta nem a sua imagem, não receberam o sinal na testa nem na mão e viveram e reinaram com Cristo durante 1000 anos.”
Aqui preciso fazer uma advertência pastoral séria: não devemos presumir que podemos negligenciar nossa salvação agora e simplesmente “aceitar” Cristo durante a tribulação. A pressão será insuportável. Hoje vivemos na dispensação da graça, onde não precisamos morrer para sermos salvos – basta santificarmo-nos, buscarmos ao Senhor com sinceridade, vivermos em obediência à Palavra. Se pessoas que vivem neste tempo de graça não conseguem manter uma vida consagrada, quanto mais sob a terrível pressão da grande tribulação?
O Grande Trono Branco: A Justiça Perfeita de Deus
O juízo final, também chamado de grande trono branco, representa a instauração da justiça perfeita de Deus. Diferentemente dos sistemas judiciais humanos, tão frequentemente corrompidos e distorcidos, o julgamento divino será absolutamente justo e inquestionável.
A Natureza do Julgamento
Apocalipse 20:12 descreve esta cena solene: “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida, e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.”
A expressão “grandes e pequenos” não se refere a adultos e crianças, mas a pessoas de diferentes condições sociais e níveis de poder. Os poderosos deste mundo – políticos, empresários, influenciadores – comparecerão lado a lado com os mais humildes. Não haverá privilégios, não haverá suborno, não haverá compadrio. Do mais rico ao mais pobre, do mais influente ao mais esquecido, todos que morreram sem Deus prestarão contas.
Os Livros do Julgamento
Vários livros serão abertos durante o juízo final, contendo registros detalhados de cada vida. Nada escapará ao conhecimento de Deus. Cada pensamento, cada palavra, cada ação – tanto os pecados públicos quanto aqueles cometidos em secreto – tudo estará registrado na memória divina.
Deus, em Sua onisciência, possui uma memória infinita e perfeita. Enquanto a ciência descobriu que o cérebro humano tem capacidade de armazenar informações equivalentes a cerca de mil terabytes, a memória de Deus não tem limites. Desde nosso nascimento, e até mesmo desde o ventre materno, até o último dia de nossas vidas, tudo está registrado diante dEle.
Muitos pensam que podem esconder seus pecados porque ninguém os vê. Viajam para lugares onde acreditam ser desconhecidos e permitem-se cometer atos que jamais fariam em suas cidades. Mas Deus tudo vê, tudo sabe, tudo registra. No grande trono branco, será como se diante de todos houvesse um grande telão onde passaria cada detalhe da vida do julgado. Todos verão, todos compreenderão, e a justiça de Deus será inquestionável.
O Livro da Vida
Entre os livros abertos, há um de importância suprema: o livro da vida. Apocalipse 20:15 declara de forma solene: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo.” A presença ou ausência do nome neste livro determinará o destino eterno de cada pessoa.
Esta é uma verdade que deve nos fazer refletir profundamente. Não bastará ter frequentado a igreja, não bastará ter usado vestes religiosas, não bastará ter ocupado posições de liderança. Jesus mesmo advertiu que muitos dirão naquele dia: “Senhor, Senhor, em teu nome expulsamos demônios, em teu nome operamos milagres!” Mas Ele responderá: “Apartai-vos de mim, que não vos conheço.”
O que importa não são as aparências externas, mas a realidade do novo nascimento e uma vida verdadeiramente consagrada. É preciso ter o nome escrito no livro da vida. É preciso ter as vestes lavadas no sangue do Cordeiro. É preciso buscar a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.
A Ressurreição: Retorno à Vida no Mesmo Corpo
A doutrina da ressurreição é absolutamente essencial para a fé cristã. Ressurreição significa retorno à vida – é o ato de Deus levantar dentre os mortos aqueles que faleceram, permitindo que voltem a viver no mesmo corpo.
O Salmo 49:15 expressa esta esperança: “Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá.” Remir significa resgatar, trazer de volta. Não importa há quanto tempo alguém tenha morrido, não importa o estado em que o corpo se encontre, não importa se foi consumido pelo fogo ou pelo mar – Deus trará de volta.
Cristo: A Primícia da Ressurreição
Alguém poderia questionar: “Mas Cristo foi realmente o primeiro a ressuscitar? O Antigo Testamento não registra várias ressurreições?” De fato, houve ressurreições na antiga aliança, e o próprio Jesus ressuscitou algumas pessoas durante Seu ministério terreno. Contudo, todos esses que ressuscitaram voltaram a morrer novamente. Tiveram o “privilégio” de morrer duas vezes.
Jesus, porém, é único. Ele ressuscitou no terceiro dia e permanece vivo para sempre. Está à destra do Pai, intercedendo por nós. Por isso Ele é chamado de primícia dos mortos – é o primeiro que ressuscitou e nunca mais morrerá. E Sua ressurreição é a garantia de que todos os que morreram nEle também ressuscitarão e receberão corpos glorificados que jamais conhecerão novamente a morte.
Os Destinos Eternos
Para os Condenados: O Inferno
O destino dos que rejeitam a salvação oferecida por Deus é a condenação eterna no inferno. Este lugar, descrito nas Escrituras como preparado originalmente para o diabo e seus anjos, é caracterizado por sofrimento e separação eterna da presença de Deus.
A Bíblia utiliza diversos termos para descrever este lugar de tormento: Sheol, Hades, Geena, Tártaro, abismo, fornalha de fogo, trevas exteriores, fogo eterno. Cada termo enfatiza aspectos diferentes desta realidade terrível.
É importante compreendermos que o Sheol e o Hades são estados intermediários – lugares onde as almas dos mortos sem Cristo aguardam, conscientes e em tormento, até o dia do julgamento final. Como vemos na parábola do rico e Lázaro em Lucas 16, há consciência, há tormento, há memória. O rico, em Hades, ergue os olhos estando em tormento e clama: “Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.”
A maior dor do inferno, contudo, será a completa ausência da presença de Deus. O ser humano foi criado para ter comunhão com seu Criador. No inferno, não haverá nem um milímetro sequer da presença divina. Esta será uma agonia inimaginável e eterna.
Para os Salvos: O Novo Céu e a Nova Terra
Para nós, os salvos em Cristo, aguarda-nos algo glorioso além de toda compreensão. Apocalipse 21:1-2 anuncia: “E vi um novo céu e uma nova terra, porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, preparada como uma esposa adornada para o seu marido.”
O novo céu e a nova terra representam a culminação da promessa de Deus aos salvos. O antigo passará, e surgirá uma criação renovada – ou mesmo uma criação inteiramente nova. Esta transformação é anunciada em toda a Bíblia, reafirmando que após o juízo final haverá um novo estado de existência que não será mais marcado pelo pecado, pela dor ou pela morte.
Esta terra atual, contaminada pelo pecado, desgastada, maltratada, destruída em sua fauna e flora, passará por uma transformação radical. Deus fará novos céus e nova terra. E a melhor notícia é: nós estaremos lá!
A Nova Jerusalém: Nossa Morada Eterna
Habitaremos na nova Jerusalém, a cidade santa que João viu descendo de Deus. Apocalipse 21:3-4 descreve esta realidade gloriosa: “E ouvi uma grande voz do céu que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará. E eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”
Que promessas extraordinárias! Neste lugar preparado por Jesus, não haverá mais lágrimas, não haverá mais morte, não haverá mais dor. Viveremos na plenitude da comunhão com Deus. Paulo expressa esta esperança dizendo: “Para sempre estaremos com o Senhor.”
Infelizmente, há hoje muitos ensinadores malignos, até mesmo pessoas que ocupam púlpitos, que não acreditam mais no céu, não acreditam no inferno, aderindo a teologias contemporâneas e progressivas que negam as verdades fundamentais da Palavra de Deus. Mas o certo é que está aqui na Palavra de Deus: quer alguém acredite ou não, o céu existe. E foi o lugar que Jesus preparou para Sua igreja.
Conclusão: Nossa Esperança e Responsabilidade
Jesus disse aos Seus discípulos: “Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim.” Estas palavras continuam ressoando através dos séculos, alcançando-nos hoje. Em meio às tribulações desta vida, às perseguições, às dificuldades, às tentações, temos uma esperança que nos sustenta: o mundo vindouro.
Paulo afirmou: “Se nós esperássemos em Deus apenas nesta vida, seríamos os mais miseráveis de todos os homens.” Mas nossa esperança transcende esta existência temporária. Não é à toa que vimos à igreja, não é à toa que oramos, não é à toa que jejuamos, não é à toa que nos santificamos. Tudo isso tem um galardão eterno.
O versículo 5 de Apocalipse 21 declara: “E o que estava sentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas.” Aquele que criou todo o universo, céus e terra, tem o poder de fazer tudo novo outra vez. Esta é uma palavra profética para cada um de nós: Deus tem um tempo novo para sua vida. Ele é aquele que faz tudo novo outra vez.
Não importa em que ponto da caminhada você se perdeu, não importa onde você parou ou ficou estacionado, não importa se você está à beira do caminho – Deus é aquele que faz novas todas as coisas. Ele tem um tempo novo para sua vida, para sua história, para sua casa, para seu emprego, para sua família.
O versículo 7 conclui: “Quem vencer, herdará todas as coisas e eu serei seu Deus e ele será meu filho.” Já temos dia e hora marcados para esta viagem. Quando Jesus estava aqui na condição de homem, Ele disse que só o Pai sabe o dia e a hora, mas como Deus, Ele sabe. E embora muitos zombem dizendo que sempre ouviram falar sobre o arrebatamento e nada acontece, Pedro nos adverte: Deus não retarda Sua promessa. Mais um pouco de tempo, e o que há de vir virá e não tardará.
Portanto, meus irmãos, não nos desviemos. O que nos aguarda é glorioso demais para que arrisquemos por causa de pecados passageiros ou pela negligência espiritual. Aos ímpios, aguarda o juízo final e o grande trono branco. Mas aos que permanecem fiéis, aguarda a nova Jerusalém.
Há um lugar que nos espera. Um lugar de comunhão eterna com Deus, onde não haverá mais dor, não haverá mais lágrima, não haverá mais morte. Um lugar onde viveremos para sempre na presença do nosso Senhor. Esta é nossa esperança bendita. Esta é a promessa que nos sustenta. Este é o mundo vindouro que aguardamos com fé e alegria.
Que esta verdade fortaleça sua alma, encoraje seu coração e renove seu compromisso de viver em santidade, aguardando aquele dia glorioso quando ouviremos a voz do Senhor nos chamando: “Suba para aqui!” Aleluia!
“E vi um novo céu e uma nova terra… E ouvi uma grande voz do céu que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará.” – Apocalipse 21:1,3


